Endolaser · dose

63,49 J/cm: a dose que o endolaser de 1470 nm pediu na safena parva

Uma série brasileira de 54 membros tratou a safena parva com laser de 1470 nm e LEED médio de 63,49 J/cm. O número só se entende junto com o tipo de fibra e com o critério de exclusão: veia a menos de 5 mm da pele ficou de fora.

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A discussão prática do endolaser termina sempre no mesmo parâmetro: a densidade de energia endoluminal linear, o LEED, em joules por centímetro. É ele que separa a oclusão durável da recanalização — e é ele que, em excesso, aproxima o disparo da pele e do nervo. Esta série brasileira permite ler o número no contexto que o torna interpretável: o comprimento de onda, o tipo de fibra e quem foi excluído antes de começar.

Quem foi excluído

Foram excluídos do tratamento termoablativo os pacientes com safena parva a menos de 5 mm de distância da pele e/ou tortuosa, além dos tratados sob raquianestesia e dos que tinham dados incompletos em prontuário. O critério não é um detalhe metodológico: é o que autoriza a dose que vem a seguir. Uma veia rasa ou tortuosa muda simultaneamente o risco cutâneo e a capacidade de tracionar a fibra de forma contínua.

A dose e a fibra

A marca dourada é a média; as pontas da régua são a menor e a maior dose entregues na mesma série. A distância entre elas é o que um número médio esconde quando aparece sozinho num slide.
A marca dourada é a média; as pontas da régua são a menor e a maior dose entregues na mesma série. A distância entre elas é o que um número médio esconde quando aparece sozinho num slide.

O laser tinha comprimento de onda de 1470 nm e a fibra, 600 µm. Em 37 dos 54 membros (68,51%) usou-se fibra radial de dois anéis; nos 17 restantes (31,48%), fibra linear. A ponta foi posicionada a 2,5 cm da junção safeno-poplítea, a potência configurada em 6 W e a tração feita manualmente, de forma contínua, em direção caudal. A extensão tratada variou de 4 a 31 cm (DP 5,62), com média de 17,26 cm — comparável às séries de 18 cm e de 17 cm citadas pelos autores.

A maior parte dos membros foi tratada com fibra radial de dois anéis; o restante, com fibra linear. A dose média publicada pertence a esse conjunto misto, e não a um protocolo de fibra única.
A maior parte dos membros foi tratada com fibra radial de dois anéis; o restante, com fibra linear. A dose média publicada pertence a esse conjunto misto, e não a um protocolo de fibra única.

A anestesia tumescente é parte funcional da dose, e não um adjuvante: a solução descrita reúne 250 mL de solução fisiológica a 0,9%, 20 mL de lidocaína a 2% com adrenalina e 4 mL de bicarbonato de sódio a 8,4%, infiltrada ao longo de todo o trajeto depois de a fibra já estar posicionada. Os autores citam a evidência de que a tumescência protege nervos e pele por dissipar o calor e por reduzir o diâmetro do vaso, melhorando a absorção de calor no alvo.

O soro anestésico entra entre a veia e o nervo sural, afasta um do outro e absorve o calor do disparo. O desenho mostra a distância que a infiltração cria.
O soro anestésico entra entre a veia e o nervo sural, afasta um do outro e absorve o calor do disparo. O desenho mostra a distância que a infiltração cria.

O que a dose produziu

A taxa de oclusão da safena parva foi de 100% no pós-operatório imediato, 98,15% entre 3 e 5 dias e 96,30% em 30 dias. O diâmetro médio do tronco tratado caiu de 6,37 mm para 5,15 mm (IC95% 4,58-5,72), com p < 0,003. Os autores atribuem a retração à teoria da resposta inflamatória tardia: o trombo gerado pelo calor libera mediadores que atraem fibroblastos e macrófagos, e a fibrose resultante oclui a veia tardiamente.

As colunas mostram a oclusão nos dois retornos do seguimento. O número desce pouco até o 30º dia — e é aí que o estudo termina, sem dizer nada sobre recanalização tardia.
As colunas mostram a oclusão nos dois retornos do seguimento. O número desce pouco até o 30º dia — e é aí que o estudo termina, sem dizer nada sobre recanalização tardia.

As complicações estão tabeladas: parestesia em 7 membros (12,96%) entre 3 e 5 dias e em 5 (9,26%) aos 30 dias; flebite em 3 (5,55%) nos dois retornos; equimose em 23 (42,59%) no primeiro retorno, restando 1 (1,85%) aos 30 dias; e nenhum caso de trombose venosa profunda ao exame ecográfico. Dos 46 pacientes, 11 precisaram de analgesia oral nos primeiros 5 dias e 2 mantinham o uso aos 30 dias. A alta ocorreu no mesmo dia, cerca de 2 horas após o procedimento, com meia elástica de 20-30 mmHg mantida por 48 horas.

Uma divergência dentro do próprio artigo

Vale registrar, porque muda o número que se cita. A Tabela 3 apresenta refluxo em 1 membro (1,85%) entre 3 e 5 dias e em 2 membros (3,7%) aos 30 dias. O texto da discussão, no mesmo artigo, relata 1 paciente (1,85%) com fluxo safênico no primeiro retorno e 4 pacientes (7,4%) com fluxo ao eco-Doppler de controle do 30º dia. A taxa de oclusão declarada nos resultados, 96,30% em 30 dias, corresponde aos 3,7% da tabela. Quem citar este estudo deve dizer de qual das duas passagens tirou o valor.

O que o estudo não autoriza afirmar

É uma série de casos, não um ensaio: não há braço comparador, e nenhuma afirmação de superioridade sobre outra técnica pode sair daqui. O seguimento foi de 30 dias, e os próprios autores explicam por quê: após esse período poucos pacientes retornavam ao consultório. Com 30 dias não se avalia recanalização tardia — que é justamente a pergunta que uma dose média de 63,49 J/cm levanta. A amostra é pequena e heterogênea, com idades de 33 a 84 anos e classes CEAP distintas; os retornos foram avaliados por médicos diferentes dos operadores, por questão de agenda; os pacientes não foram reclassificados pela CEAP no pós-operatório; e os tratados sob raquianestesia foram excluídos por confundirem a origem dos sintomas. Some-se a divergência de números descrita acima. A leitura defensável é: com este comprimento de onda, esta fibra e esta seleção, a oclusão precoce foi alta e a morbidade baixa — nada além disso.

Conteúdo dirigido exclusivamente a profissionais da saúde. Nenhum resultado individual é garantido: a indicação depende de avaliação clínica e de exame de imagem de cada paciente (CFM 2.336/2023).

Formação prática

Esta técnica é ensinada com paciente real.

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