O número que diz se o sintoma vai melhorar: o tempo de reenchimento venoso
A queixa da perna correlaciona mal com o que o exame mostra. Em 246 pacientes de Birmingham, o tempo de reenchimento venoso medido por fotopletismografia digital subiu de 11 para 31 segundos após escleroterapia com espuma — e quem normalizou o tempo teve mais alívio dos sintomas: 80% contra 65%.
Ver a aula em vídeoA medida direta da pressão venosa ambulatorial é tida como a melhor avaliação global da função venosa do membro, mas é invasiva e inadequada para uso clínico de rotina. A pletismografia a ar é precisa e reprodutível, mas demorada e dependente de equipamento volumoso. A fotopletismografia digital (PPG) sobra como o exame funcional barato, repetível e não invasivo — e o tempo de reenchimento venoso (VRT) medido por ela correlaciona bem com as medidas diretas de pressão.
Como o VRT foi medido
A sonda de PPG foi fixada à pele 10 cm acima do maléolo medial e 1-2 cm posterior à borda subcutânea da tíbia, evitando áreas de cicatriz, varizes proeminentes ou pigmentação. Com o paciente sentado e imóvel, o aparelho calibrou o sinal; o exercício foram 10 dorsiflexões e plantiflexões ao longo de 15 segundos, guiadas por metrônomo, seguidas de repouso. A curva de reenchimento é exibida e o tempo calculado até um máximo de 45 segundos. Cada perna foi medida duas vezes, com 2 a 5 minutos de intervalo, e usou-se a média. VRT normal foi definido como ≥20 s.
Foram 246 pacientes consecutivos e 364 pernas examinadas, das quais 317 membros sintomáticos com refluxo venoso superficial isolado foram tratados com escleroterapia com espuma guiada por ultrassom. Membros com refluxo venoso profundo foram excluídos. A espuma foi preparada pela técnica de Tessari, com uma parte de tetradecil sulfato de sódio a 3% e três partes de ar; a compressão foi bandagem por 10 dias, seguida de meia classe II por mais 14. Cerca de 10 a 15% dos membros precisam de uma segunda sessão.
O VRT acompanha a gravidade clínica

Antes do tratamento houve relação significativa entre VRT menor e classe clínica CEAP maior. Nos membros com varizes não complicadas (C2 e C3, n = 225) a mediana foi de 15,0 s (IQR 9,0-23,8); nos membros com complicações cutâneas (C4, C5 e C6, n = 92), 9,0 s (IQR 6,0-14,0). A extensão do refluxo ao duplex também se relacionou com VRT menor, mas membros com 1-2 segmentos refluxivos (n = 300) e com 3-4 (n = 17) tiveram a mesma mediana de 12,0 s. Quanto aos sintomas, 28 de 41 membros (68%) com um ou dois sintomas tinham VRT anormal, contra 45 de 54 (83%) com todos os sete — tendência que não alcançou significância (P = 0,097). Apenas prurido (74% × 60%) e sensação de inchaço (75% × 45%) foram significativamente mais comuns nos membros com VRT anormal.

Normalizar o VRT prediz alívio
Em 101 membros remedidos aos 6 meses, o VRT mediano subiu de 11 (8-18) para 31 (20-44) segundos (P < 0,0005, Wilcoxon). Comparando os membros que normalizaram um VRT previamente anormal com os que não mudaram (anormal, n = 23; normal, n = 17), o alívio de todos os sintomas foi significativamente mais provável no primeiro grupo.


Analisando sintoma a sintoma, todos melhoraram mais nos membros que normalizaram o VRT, mas só o prurido alcançou significância isolada (87% × 64%, P = 0,021). Dor (P = 0,54), formigamento (P = 0,13), cãibra (P = 0,18), pernas inquietas (P = 0,16), sensação de inchaço (P = 0,28) e peso (P = 0,062) não alcançaram. No subgrupo de 50 pacientes com questionários completos, o VRT pré-tratamento se correlacionou com o componente físico do SF12 (r = 0,43, P = 0,002) e com o AVSS (r = 0,41, P = 0,003); aos 6 meses as relações persistiam mais fracas e sem significância (r = 0,28, P = 0,05; r = 0,19, P = 0,18), e não houve correlação entre a variação do VRT e a variação dos escores de qualidade de vida.
O que o estudo não autoriza afirmar
Este é um estudo de coorte tratada, com medidas antes e depois: não há randomização nem grupo controle, de modo que a melhora do VRT não pode ser atribuída isoladamente à espuma em comparação com nenhuma outra conduta. O seguimento é de 6 meses — não há informação sobre recanalização tardia nem sobre a durabilidade do ganho funcional. A taxa de resposta é uma fraqueza reconhecida pelos autores: foram 128 procedimentos unilaterais e dados completos para apenas 50, ainda que esses 50 pouco diferissem da coorte inteira em dados demográficos, classe CEAP e tratamento. O achado central vale para o conjunto dos sintomas; isoladamente, só o prurido se sustentou. E o VRT não substitui o duplex: continua sendo o mapeamento com ultrassom que define anatomia, extensão do refluxo e conduta, caso a caso.
Conteúdo dirigido exclusivamente a profissionais da saúde. Nenhum resultado individual é garantido: a indicação depende de avaliação clínica e de exame de imagem de cada paciente (CFM 2.336/2023).