Endolaser · safena parva

A veia que os cirurgiões temiam operar — e o que mudou com o laser

A proximidade do nervo sural fez da safena parva a veia que se evitava operar. Um estudo brasileiro acompanhou 54 pernas tratadas com endolaser e anestesia local — e os números explicam a mudança de conduta.

Ver a aula em vídeo

A safena parva corre na face posterior da perna e responde por cerca de 15% dos casos de refluxo em membros com varizes. Não é uma veia marginal — mas foi, por décadas, a que menos se operava. O motivo tem nome próprio: o nervo sural.

O problema anatômico

O nervo sural acompanha a safena parva da panturrilha até o pé. É essa vizinhança que explica a parestesia da cirurgia aberta.
O nervo sural acompanha a safena parva da panturrilha até o pé. É essa vizinhança que explica a parestesia da cirurgia aberta.

Na safenectomia convencional, a dissecção e a retirada do tronco expõem o nervo a tração e a lesão térmica indireta. O resultado clínico é parestesia numa área da perna e do pé — queixa que persiste depois de a veia já estar resolvida.

O que o estudo brasileiro mediu

Souza e colaboradores acompanharam 54 pernas de 46 pacientes submetidos à termoablação com endolaser da safena parva, em regime ambulatorial, com anestesia local e tumescente — sem anestesia geral, sem bloqueio, sem internação. A fibra de 600 µm foi posicionada a 2,5 cm da junção safeno-poplítea, com potência de 6 W e tração contínua, tudo guiado por ultrassom.

O escore de gravidade clínica venosa caiu de 8,02 para 6,11, com significância estatística, e o diâmetro do tronco tratado reduziu de 6,37 mm para 5,15 mm. Todos receberam alta no mesmo dia, cerca de duas horas depois, com meia elástica por 48 horas e deambulação estimulada desde o primeiro dia. Onze dos 46 precisaram de analgésico nos cinco primeiros dias.

A tumescência é o ponto da técnica

A anestesia tumescente perivenosa faz três coisas ao mesmo tempo: anestesia o trajeto, afasta o tronco do nervo e da pele e dissipa o calor do disparo. É ela, mais do que o comprimento de onda, que separa o perfil de complicação do endolaser do perfil da cirurgia aberta.

A fibra de 600 µm ao lado de um fio de espaguete: a escala explica por que o acesso é uma punção, e não uma incisão.
A fibra de 600 µm ao lado de um fio de espaguete: a escala explica por que o acesso é uma punção, e não uma incisão.

Comparação direta com a cirurgia convencional

O ensaio randomizado de Samuel e colaboradores alocou 106 pacientes com refluxo unilateral da safena parva em dois grupos de 53, com seguimento de 1, 6, 12 e 52 semanas. O endolaser aboliu o refluxo em 96,2% dos casos, contra 71,7% da técnica convencional. A parestesia ocorreu em 7,5% no grupo do laser, contra 26,4% na cirurgia aberta.

O que o estudo não autoriza afirmar

Nenhum paciente apresentou trombose venosa profunda. Ainda assim, cinco permaneciam com área de parestesia no 30º dia e três desenvolveram flebite do segmento tratado. E o seguimento foi de 30 dias, em centro único, com 46 pacientes: é evidência consistente de segurança e de oclusão precoce, não de durabilidade a longo prazo. Recanalização tardia e recidiva por neovascularização só aparecem em séries com seguimento maior.

Conteúdo dirigido exclusivamente a profissionais da saúde. Nenhum resultado individual é garantido: a indicação depende de avaliação clínica e de exame de imagem de cada paciente (CFM 2.336/2023).

Formação prática

Esta técnica é ensinada com paciente real.

Dúvidas? Fale com a Júlia document.querySelectorAll('.post-video').forEach(v => { v.addEventListener('click', () => { const f = document.createElement('iframe'); f.src = 'https://www.youtube-nocookie.com/embed/' + v.dataset.yt + '?autoplay=1&rel=0'; f.title = 'YouTube'; f.allow = 'accelerometer;autoplay;encrypted-media;picture-in-picture'; f.allowFullscreen = true; f.loading = 'lazy'; v.innerHTML = ''; v.appendChild(f); v.classList.add('on'); }, {once: true}); });